O Brasil já registrou mais de 82 mil casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em 2026, e todos os estados do país operam em nível de alerta, risco ou alto risco, segundo o mais recente Boletim InfoGripe da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Com Influenza A, vírus sincicial respiratório (VSR) e rinovírus circulando ao mesmo tempo — e provocando sintomas praticamente idênticos —, o diagnóstico clínico isolado se torna insuficiente para identificar o agente causador da infecção.
No cenário nacional, os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) apresentam sinal de aumento na tendência de longo prazo (últimas 6 semanas) e de queda na tendência de curto prazo (últimas 3 semanas). A alta de SRAG no país está associada ao aumento das hospitalizações. No momento, 11 das 27 unidades federativas apresentam incidência de SRAG em nível de alerta, risco ou alto risco (últimas duas semanas) com sinal de crescimento na tendência de longo prazo (últimas 6 semanas) até a semana 22 no Acre, Alagoas, Amapá, Paraná, Pará, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Roraima, Santa Catarina, Sergipe e São Paulo.
Os demais 16 estados já apresentam sinal de interrupção do crescimento ou queda dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave na tendência de longo prazo, porém 12 delas ainda apresentam incidência em níveis de alerta, como é o caso da Paraíba e também do Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
É nesse cenário que os testes moleculares multiplex, capazes de investigar simultaneamente dezenas de vírus e bactérias respiratórias em cerca de uma hora, ganham relevância estratégica no cuidado aos pacientes.
Alessandra Zacarias, Especialista em Soluções de Diagnóstico em Saúde da QIAGEN, explica que a coexistência de múltiplos vírus respiratórios durante o inverno não é novidade, mas o volume de casos registrados em 2026 reacende o debate sobre a capacidade diagnóstica dos serviços de saúde. Febre, tosse, congestão nasal, dor de garganta e mal-estar são sintomas comuns à Influenza A, ao VSR e ao rinovírus — o que torna praticamente impossível, pela avaliação clínica, distinguir qual patógeno está em causa sem o apoio laboratorial adequado.
“Durante os meses mais frios, não observamos apenas um único vírus predominante. Diferentes agentes respiratórios circulam ao mesmo tempo e podem causar manifestações clínicas muito parecidas. Por isso, identificar rapidamente qual patógeno está envolvido é fundamental para apoiar a definição da conduta clínica, especialmente em pacientes mais vulneráveis”, afirma a executiva.
Os testes moleculares multiplex — também chamados de painéis respiratórios sindrômicos — utilizam tecnologia de PCR em tempo real para detectar simultaneamente vírus e bactérias associados a síndromes respiratórias agudas. Diferente de outros exames disponíveis atualmente, o resultado pode ser obtido em aproximadamente uma hora.
“Quando investigamos apenas um agente infeccioso por vez, existe a possibilidade de o resultado vir negativo e a dúvida clínica permanecer. Os testes multiplex ampliam essa capacidade diagnóstica ao permitir a pesquisa simultânea de diferentes vírus e bactérias respiratórias, contribuindo para uma resposta mais completa já nos primeiros momentos do atendimento”, explica Alessandra.
Diagnóstico preciso de síndromes respiratórias como barreira contra a resistência antimicrobiana
Além da velocidade, a precisão diagnóstica tem implicações diretas no uso de antibióticos — e, consequentemente, no enfrentamento da resistência antimicrobiana, que a Organização Mundial da Saúde (OMS) classifica como uma das principais ameaças globais à saúde pública.
Como infecções virais não respondem ao tratamento com antibióticos, um diagnóstico que diferencie com clareza vírus de bactérias pode evitar prescrições desnecessárias e contribuir para o uso mais racional desses medicamentos.
Alguns quadros respiratórios graves também podem envolver coinfecções — situações em que vírus e bactérias estão presentes simultaneamente —, o que reforça a necessidade de exames capazes de mapear múltiplos patógenos de uma só vez para orientar a conduta terapêutica adequada, segundo a OMS e o Centers for Disease Control and Prevention (CDC).
Acesso e eficiência clínica no centro do debate
Atualmente disponíveis em hospitais privados e centros de referência, os painéis respiratórios multiplex têm levantado o debate sobre a ampliação do acesso a tecnologias diagnósticas mais abrangentes, especialmente durante o inverno, quando a pressão sobre os serviços de saúde se intensifica.
“O diagnóstico é uma etapa estratégica do cuidado em saúde. Quanto mais rápido e preciso ele for, maiores são as chances de direcionar adequadamente o tratamento, otimizar recursos assistenciais e melhorar a jornada do paciente. Em um cenário de circulação simultânea de diferentes vírus respiratórios, discutir o papel dessas tecnologias é discutir eficiência clínica e qualidade assistencial”, conclui Alessandra Zacarias.
Enquanto o debate avança, as autoridades sanitárias reforçam as medidas preventivas para a temporada de inverno. Entre as recomendações dos órgãos de saúde estão a vacinação contra a gripe, higienizar as mãos com frequência, priorizar ambientes ventilados e buscar atendimento médico diante de sintomas persistentes ou piora do quadro clínico.
A síndrome respiratória aguda grave (SRAG) não é uma doença em si, mas uma complicação resultante de diferentes infecções por vírus, como covid-19. Outros vírus que podem levar ao desenvolvimento dessa condição incluem a: gripe (Influenza A e B), o sincicial respiratório – VSR que afeta principalmente crianças e idosos e pode causar bronquiolite, e adenovírus (vírus que provoca dor de garganta e resfriados, e pode atingir os pulmões)
É possível ter mais de um quadro de síndrome respiratória aguda grave ao longo da vida, causados por diferentes tipos de vírus. O tratamento da síndrome respiratória (SRAG) aguda grave depende do quanto a doença avançou, da saúde geral do(a) paciente e de outros fatores individuais.
Prevenção
A SRAG é uma possível consequência de diferentes doenças contagiosas, como a gripe e a covid-19, porém nem toda pessoa com alguma dessas infecções irá desenvolver a síndrome. Assim, uma das principais formas de prevenção à SRAG é evitar essas doenças, o que pode ser feito das seguintes maneiras:
- manter uma alimentação saudável, rica em proteínas, verduras e legumes, ajuda a fortalecer o sistema de defesa do corpo (imunológico)
- vacinar-se contra doenças que podem levar a esse quadro, como a gripe e a covid-19
- evitar o contato próximo com pessoas infectadas por doenças respiratórias
- higienizar as mãos, principalmente antes das refeições: aplicar uma quantidade suficiente de sabão nas palmas, esfregar bem todas as partes (dedos, costas das palmas e unhas) por cerca de 20 segundos e enxaguar com água
- usar máscara em ambientes fechados ou com pessoas doentes

