Uma integrante do Comando Vermelho na Paraíba revelou à Justiça detalhes de um suposto acordo entre o ex-prefeito de Cabedelo, Vitor Hugo, e o traficante Flávio de Lima Monteiro, conhecido como “Fatoka”, apontado como um dos criminosos mais procurados do país.
As informações fazem parte de um depoimento prestado por Ariadna Thalia, identificada pelas investigações como integrante do núcleo de lavagem de dinheiro da facção criminosa. O relato foi utilizado pela Justiça da Paraíba para fundamentar decisões relacionadas à operação que afastou o então prefeito interino Edvaldo Neto.
Segundo as investigações da Polícia Federal, o esquema utilizava empresas terceirizadas contratadas pela Prefeitura de Cabedelo para inserir pessoas ligadas à facção dentro da administração pública. O grupo é suspeito de desviar mais de R$ 270 milhões em recursos público.
Em depoimento, Ariadna afirmou que existia um acordo político para manutenção do esquema criminoso mesmo após mudanças na gestão municipal. Ela relatou que, após operações da Polícia Federal atingirem integrantes da organização, houve temor de rompimento do esquema, mas que Fatoka teria cobrado garantias para continuidade das contratações ligadas à facção.
Ainda segundo a investigação, integrantes da organização criminosa indicavam nomes para ocupar cargos através de empresas terceirizadas contratadas pelo município. Em troca, a facção garantiria domínio territorial, apoio político e controle de áreas estratégicas da cidade.
O depoimento também aponta que comunidades dominadas pela facção eram utilizadas como áreas de influência política durante períodos eleitorais, restringindo campanhas de adversários em determinadas regiões de Cabedelo, conforme apurou o Notícia Paraíba.
Fatoka é apontado como líder da facção “Tropa do Amigão”, considerada braço do Comando Vermelho na Paraíba. Atualmente foragido, ele estaria escondido no Rio de Janeiro e, segundo as investigações, continuaria monitorando Cabedelo à distância através de um sistema clandestino de câmeras espalhadas pela cidade.
A defesa de Vitor Hugo negou qualquer ligação com organizações criminosas e afirmou que o ex-prefeito não conhece Ariadna nem Fatoka. Já Edvaldo Neto declarou que nunca manteve qualquer relação com facções criminosas.
O caso segue sob investigação da Polícia Federal, Ministério Público e órgãos de controle.

